Com o título “Escutar e jejuar” o Papa Leão XIV faz-nos chegar a sua Mensagem para a Quaresma.
«Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar – diz o Santo Padre –, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro». E sublinha que, para viver a Quaresma como tempo de escuta da Palavra, havemos de saber viver o jejum porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus», como recordava Bento XVI numa sua Catequese (9 de março de 2011).
Mas este ano o Papa convida-nos a «uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias». E o seu convite aponta-nos lugares bem conhecidos – a família, os amigos, os locais de trabalho, as redes sociais, os debates políticos, os meios de comunicação social, as comunidades cristãs – como lugares onde há que «aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza». E, deste modo, «muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz».
Na leitura do Profeta Isaías do Sábado a seguir às Cinzas escutávamos: «Eis o que diz o Senhor: “Se tirares do meio de ti toda a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do teu pão ao faminto e matares a fome ao indigente, brilhará na escuridão a tua luz e a tua noite será como o meio-dia» (Is 58,9b-10).
Percorramos, pois, o caminho da Quaresma como “caminho partilhado” com o estilo que recebemos do Papa Francisco: na escuta da Palavra de Deus, na escuta do clamor dos pobres e do clamor da Terra, para um diálogo sem “palavras ofensivas”, uma reconciliação que nos conduz à verdadeira Paz.
P. José Manuel









