[Na] mensagem [do Papa para o Dia Mundial da Paz] é referido o incremento de despesas militares no mundo inteiro que desde há vários anos se verifica de forma ininterrupta. Um incremento sem precedentes está previsto para o nosso país e para os outros membros da União Europeia. Esta união de Estados nascida como alternativa a um passado de guerras contínuas parece preparar-se para a inevitabilidade da guerra. E fá-lo através da dissuasão, segundo o velho adágio: “se queres a paz, prepara a guerra”. A mensagem do Papa rejeita esta lógica como alicerce da paz autêntica. Afirma: «Na verdade, a força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força».
A verdadeira paz não assenta na desconfiança, no medo e no “equilíbrio do terror”. Esse equilíbrio é sempre precário e instável; envolve sempre o perigo de passar da ameaça ao uso efetivo. Por outro lado, a corrida aos armamentos gera uma escalada que pode não ter fim, porque à ameaça se responde com outra ameaça maior. E desse modo se desviam para fins militares avultados recursos que mais necessários seriam para a promoção do progresso social.
Há alternativas que servem para construir essa paz autêntica: a implementação do direito internacional, a cooperação entre os Estados, o desenvolvimento dos povos, as mudanças de regime por meios pacíficos (mudanças que a história recente também regista).
A paz a que aludiu Leão XIV na sua primeira alocução e a que também alude nesta mensagem é a paz que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos («Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz») é a «paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante», que «provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente».
Da nota da Comissão Nacional Justiça e Paz de 2026









