O […] ano pastoral, que agora iniciamos, será dedicado aos (re)começos. Queremos olhar de forma particular para a iniciação cristã entendida no seu sentido mais amplo e profundo. Não apenas como preparação sacramental, mas como introdução progressiva na vida nova do Evangelho. Há muitos baptizados que nunca chegaram verdadeiramente a encontrar-se com Cristo. Há outros que se afastaram, perderam referências ou vivem uma fé fragilizada. Há também tantos homens e mulheres que continuam a procurar, talvez sem o saber, uma luz para as suas vidas.
Por isso, este será um ano de convite, de acolhimento e de proximidade.
Um ano para ajudar cada pessoa a descobrir novamente a beleza da fé cristã. Um ano para abrir caminhos de encontro com Deus.
«Vinde e vede». Estas palavras de Jesus revelam-nos algo essencial: a fé nasce sempre de uma experiência. André e João não ficaram apenas a ouvir falar de Jesus. Foram ver onde Ele morava. Permaneceram com Ele. A fé cristã não se transmite apenas por conceitos, mas sobretudo por testemunho, convivência e comunhão. Foi tão decisivo aquele encontro que o evangelista até anota: «Eram as quatro horas da tarde» (Jo 1,39). Não aprenderam uma teoria, nem descobriram um código ético: encontraram-se com a pessoa de Jesus Cristo e nunca mais se esqueceram do momento em que isso aconteceu.
Hoje, talvez mais do que nunca, somos chamados a criar espaços onde seja possível fazer assim experiência de Deus. As nossas paróquias, comunidades, movimentos, grupos, famílias e obras eclesiais devem tornar-se lugares onde alguém possa encontrar um rosto acolhedor, uma palavra verdadeira, uma presença fraterna e, através disso, descobrir Cristo vivo.
Rui Valério, Patriarca de Lisboa









