É este o tema da celebração do Tempo da Criação deste ano.
Iniciado a 1 de setembro, Dia Mundial de Oração pela Criação, conclui-se, como sabemos, a 4 de outubro, festa de S. Francisco de Assis.
O profeta Ezequiel apresenta uma visão de esperança que hoje poderíamos chamar ecológica (47,9-12): no meio do exílio e da experiência de perda, a imagem da água viva que brota do santuário traduz uma salvação que cura e renova a terra, a biodiversidade e a responsabilidade humana para com toda a Criação.
O Profeta repara «que havia um grande número de árvores na margem do rio, de um lado e do outro. […] Esta água está a sair para a zona oriental, desce até Arabá e entra no mar e quando estas se encontrarem no mar, as suas águas ficarão sadias e vivas» (vv. 7-9). O mar a que se refere o Profeta é o Mar Morto: «Haverá peixes de todas as espécies, como os peixes do Grande Mar, em grande número» (v. 10).
Esta afirmação é deliberadamente chocante. Anuncia um facto ecologicamente impossível a fim de proclamar um evento teologicamente decisivo. O profeta não narra um processo natural; anuncia uma intervenção divina. Definitiva. Salvadora.
O Mar Morto simbolizava a morte: sem peixes, sem plantas, sem vida. Trata-se agora de uma nova criação. A vida de Deus entra dentro dos lugares sem esperança.
Recordamo-nos da promessa de Jesus a propósito do Espírito Santo: daqueles que acreditarem em Jesus correrão rios de água viva (cf. Jo 7,38).
Vivamos, na fé, este Tempo da Criação!
P. José Manuel
GUSTAVO OTERO, Cardume de peixes saltando fora d’água, Museu do Amanhã, Rio de Janeiro










